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A silly season nazarena. O Baile de 5 de Outubro

Porque na Nazaré tudo é diferente, a nossa silly season verifica-se não no Verão, mas no período entre o pós-Festas (em que grande parte dos nazarenos vai de férias) e o período pré-Natal, em que a malta começa a animar mais um pouco com os jantares e festas de família ou de empresa. Depois temos o Natal, época em que toda a gente fala com toda a gente menos no resto do ano, seguido da passagem de ano e do tão aguardado Carnaval. Entretanto, dois meses e meio de pasmaceira. Em mais lado nenhum o carácter depressivo do Outono se faz sentir tanto como na Nazaré. Vem o vento, a chuva, o mar fica feio, não apetece sair de casa, ficamos mais carrancudos. Enfim, cola-se e entranha-se na nossa pele.
Não há muito tempo, quase funcionando como anti-depressivo, realizava-se o grandioso Baile de 5 de Outubro no Casino, a abarrotar e cheio de cor com os novos vestidos e penteados das senhoras e das meninas e o inevitável fato-inteiro que íamos comprar a Alcobaça ou ao Ponto Negro em Leiria. Era um frenesim entre modistas, prontos-a-vestir e cabeleireiros. Os restaurantes enchiam com grupos que se juntavam para irem para o baile. À hora do baile lá estavam os "25ª à hora" com as últimas músicas de Phil Collins, Elton John ou de Roberto Carlos. Os jovens aproveitavam para se iniciarem na cerveja e os mais novos à espera de ouvir o “é fim-de-série, podem descansar” para poderem brincar ao “piso eu” e à “mosca”.
Coisa inimaginável nos tempos que correm, havia um intervalo cerca da 1.30h para irmos a casa cear ou para os mais novos aproveitarem para namorar. O método de engate era simples: na semana que antecedia o baile, na escola, falávamos com o “alvo” ou com as amigas da dita para ir compondo a coisa para que quando chegasse à altura do intervalo já todos soubessem, mais ou menos, com quem iriam curtir. Depois, durante o baile lançar uns olhares lascivos da porta do bar do casino (onde agora são as casas de banho) ou por vezes ignorar o olhar da menina numa atitude óbvia de desdém. Quando se aproximava a hora do intervalo (que durava 1h ou 1h e meia!), convidávamos a menina para dançar mas só com o intuito de combinarmos a estratégia de retirada do baile e o sítio para onde iríamos curtir. Às escondidas, claro. Depois, voltávamos para o baile como se nada tivesse acontecido, não sem antes trocarmos juras e promessas de amor eterno! Alguns até casaram!

2 Comentários:

barraca37 disse...

Velhos tempos amigo Ricardo...velhos tempos!

C@necão disse...

Havia um certo romantismo e muito respeitinho... às vezes :P